Guia para Pacientes · Saúde Íntima

Dr. Cesar Augusto Capellari

Vaginose
Bacteriana

Entenda o que é, por que acontece, como tratar — e como evitar que volte.

Dr. Cesar Augusto Capellari

CRM 19990-PR  |  RQE 15575 / 22515
Ginecologista e Obstetra

Capítulo 1

Capítulo 01

O que é a Vaginose Bacteriana?

A vaginose bacteriana (VB) é o desequilíbrio mais comum da flora vaginal em mulheres em idade reprodutiva. Ela não é uma infecção clássica causada por um único germe, mas sim uma alteração do ecossistema vaginal: as bactérias protetoras (Lactobacillus) diminuem e bactérias anaeróbicas variadas passam a predominar.

29% das mulheres em idade fértil têm VB em algum momento
50% dos casos são assintomáticos — a mulher não sabe que tem
#1 causa de conteúdo vaginal anormal em mulheres adultas
🔬

Lactobacillus — o guarda da saúde vaginal: Em uma vagina saudável, os Lactobacillus produzem ácido lático, mantendo o pH baixo (≤4,5) e protegendo contra microrganismos indesejados. Quando essa população diminui, o equilíbrio se rompe.

Quais bactérias estão envolvidas?

As principais bactérias encontradas na VB incluem Gardnerella vaginalis, Prevotella spp., Mobiluncus spp., Mycoplasma hominis e Sneathia spp.. Juntas, formam um biofilme denso nas paredes vaginais — o que dificulta o tratamento e favorece a recorrência.

Capítulo 2

Capítulo 02

Como reconhecer os sintomas?

Muitas mulheres com VB não apresentam sintoma algum. Quando ocorrem, os sinais mais frequentes são:

⚠️ Atenção: Não tente se autodiagnosticar. Conteúdo vaginal alterado pode ter várias causas. Somente um exame médico com análise laboratorial permite distinguir VB de candidíase, tricomoníase ou outras condições.

Como o médico faz o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico e laboratorial, usando os Critérios de Amsel — que avaliam quatro características — e/ou a Pontuação de Nugent, que analisa a flora bacteriana ao microscópio. O diagnóstico confirma-se com pelo menos 3 dos 4 critérios de Amsel presentes:

Critério de Amsel O que significa
1. Conteúdo vaginal típicoBranco-acinzentado, homogêneo
2. pH vaginal > 4,5Ambiente menos ácido que o normal
3. Teste das aminas positivoOdor de "peixe" ao adicionar KOH à amostra
4. "Clue cells" ao microscópioCélulas epiteliais cobertas por bactérias (≥20%)
Capítulo 3

Capítulo 03

Por que a VB acontece?

Não existe uma causa única. A vaginose bacteriana resulta de uma combinação de fatores que perturbam o equilíbrio natural da flora vaginal. Estudos recentes mostram que fatores sexuais e o método contraceptivo influenciam diretamente o risco.

Mulheres com parceiras femininas têm até 1,7 vez mais chance de desenvolver VB — o que reforça o papel da transmissão sexual no desequilíbrio da flora vaginal.

Sutton et al., Sex Transm Infect 2026

Fatores que aumentam o risco

Fatores que protegem

💊 Anticoncepcional hormonal

Reduz em 27% o risco de VB. O estrogênio estimula a produção de glicogênio — "alimento" dos Lactobacillus.

🛡️ Preservativo consistente

O uso correto e consistente do preservativo protege a flora vaginal e reduz a exposição a bactérias externas.

Capítulo 4

Capítulo 04

Por que tratar é importante?

A VB não tratada — mesmo sem sintomas — pode levar a complicações sérias. É por isso que o diagnóstico e o tratamento precoces importam.

Capítulo 5

Capítulo 05

Como é o tratamento?

O tratamento da VB é eficaz na maioria dos casos. Os antibióticos de primeira linha eliminam as bactérias anaeróbias. O desafio é prevenir a recorrência, que é comum.

Como funciona o tratamento

1
Antibiótico oral Comprimidos tomados por via oral por alguns dias. Opção prática e muito eficaz. O médico orienta sobre cuidados durante o uso.
2
Antibiótico de uso vaginal (gel ou creme) Aplicado diretamente na vagina por alguns dias. Boa opção para quem prefere tratamento local, com menos efeitos no organismo.
3
Dose única oral Um único comprimido resolve o tratamento. Excelente para facilitar a adesão — o médico avalia se é a melhor escolha para o seu caso.
💡

Sobre probióticos: Meta-análises recentes mostram que a adição de probióticos com Lactobacillus ao antibiótico melhora a taxa de cura em comparação ao antibiótico isolado (RR 1,23). O uso oral foi mais eficaz que o vaginal. Pergunte ao seu médico se essa combinação é indicada para você.

E a parceria sexual precisa de tratamento?

Esta é uma das questões mais recentes e importantes no manejo da VB. Em 2025 e 2026, duas publicações científicas de alto impacto mudaram a conduta clínica:

Tratar o parceiro masculino com antibióticos (oral + tópico peniano) reduziu a recorrência da VB de 63% para 35% em apenas 12 semanas.

Vodstrcil et al., N Engl J Med 2025 — confirmado pela ISSVD 2026

A Sociedade Internacional para o Estudo de Doenças Vulvovaginais (ISSVD) atualizou suas recomendações em 2026: o tratamento da parceria masculina deve ser considerado nos casos de VB recorrente e sintomática, com diagnóstico confirmado laboratorialmente.

Critérios para indicar tratamento da parceria

CritérioDetalhe
VB confirmada laboratorialmenteMicroscopia, Gram ou PCR validado
VB sintomáticaSintomas ativos na mulher
3+ episódios confirmados em 12 mesesPadrão recorrente bem estabelecido
Recorrência em <3 meses após tratamento corretoIndicativo de reinfecção
Exclusão de tricomoníase associadaTeste NAAT negativo
👥

Tratamento da parceria masculina (ISSVD 2026): Combina um antibiótico oral com um antibiótico tópico de uso peniano, ambos por 7 dias, iniciados ao mesmo tempo pela mulher e pelo parceiro. Relações sexuais devem ser evitadas durante o tratamento. O seu médico indicará o esquema correto.

Para parcerias femininas, a ISSVD recomenda que seja feita testagem para VB e, se positivo, tratamento simultâneo com um dos esquemas de primeira linha, seguido por regime semanal de manutenção.

Capítulo 6

Capítulo 06

Por que a VB volta tanto?

A recorrência é o grande desafio da VB. Mesmo com tratamento correto, até 50-60% das mulheres têm um novo episódio em 6 a 9 meses. Entender o porquê ajuda a prevenir.

22× por 100 mulheres/ano — taxa de recorrência da VB
60% das mulheres tratadas têm recidiva em até 12 meses

As duas vias de recorrência

🔄 Persistência

As bactérias não foram completamente eliminadas. O biofilme vaginal protege os germes do antibiótico, permitindo que a VB se mantenha.

♻️ Reinfecção

A VB foi curada, mas a mulher foi reexposta às bactérias — frequentemente por meio de relação sexual com parceria não tratada.

Fatores que aumentam o risco de recorrência

🌱

Probióticos vaginais com L. crispatus: Estudos recentes (Lactin-V e VS-01) mostraram que formulações vaginais de Lactobacillus crispatus após o tratamento reduziram significativamente a recorrência. Essas formulações estão em fase avançada de desenvolvimento e podem mudar a prática clínica nos próximos anos.

Capítulo 7

Capítulo 07

Como prevenir a VB?

Não existe fórmula mágica, mas adotar hábitos simples reduz significativamente o risco de novos episódios:

📋

VB na gravidez: Se você está grávida ou planeja engravidar, informe ao seu médico sobre histórico de VB. O rastreamento e tratamento durante o pré-natal são importantes para reduzir o risco de parto prematuro e outras complicações.

Dr. Cesar Augusto Capellari

Dr. Cesar Augusto Capellari

CRM 19990-PR  |  RQE 15575 / 22515

Ginecologista e Obstetra especializado em saúde íntima feminina. Atendimento personalizado e baseado nas melhores evidências científicas.

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São Pedro · São José dos Pinhais — PR
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